Natal no Estabelecimento Prisional de Lamego

Devido à greve dos funcionários dos Estabelecimentos Prisionais, nos dias 24 a 26 de Dezembro e 31 a 02 de Janeiro, ficámos sem hipótese de celebrar a Eucaristia dia de Natal e a festa de Santa Maria, Mãe de Deus ou fazer qualquer outra atividade nesses dias com os reclusos.

No último encontro que tive com eles, lamentaram essa privação e diziam: nem a celebração da Palavra de Deus com a Irmã podemos ter…

O Amor de Deus Pai, também quer transbordar para estes seus filhos. A Luz, a Vida que nos vem do Mistério da Encarnação do Filho de Deus, quer transformar a vida daqueles homens de rostos tristes, desconfiados, desanimados, rejeitados, carenciados, desintegrados, arrependidos. O Filho de Deus veio para todos, quer nascer e ficar no coração de todo o ser humano, rico, pobre, criminoso, doente, isolado da sociedade ou da família. Esta certeza não nos pode deixar de braços cruzados.

Pensei falar com o chefe do referido Estabelecimento, propor-lhe que autorizasse celebrarmos a Eucaristia, dia 30 de Dezembro, convidaria os párocos da paróquia, o capelão e um grupo de seis jovens que iriam animar a Eucaristia com instrumentos musicais e cânticos; disse-me que teria de enviar o meu pedido à Sra. Diretora e posteriormente daria a resposta. Ao fim de duas horas, recebi a notícia que o pedido tinha sido deferido.

Dia 30, às 10.00h, iniciámos a celebração da Eucaristia: participaram trinta e sete por cento dos reclusos que lá se encontram, enchiam todo o edifício da cadeia com as suas vozes, alegres, felizes, não pareciam os mesmos homens. Diziam: “Hoje aqui também é Natal!...”

Na homilia, o Sr. Pe. Abrunhosa referiu que o Natal é a celebração da vida de Deus em nós e fez apelo a que fizessem do tempo passado na cadeia, tempo de advento, tempo de preparação, tempo de recomeçar uma vida nova.

A nossa comunidade fez filhós e um grande bolo para lhes oferecer. No fim da Eucaristia, todos tiveram uma filhó e um bocadinho de bolo e um tempo de convívio com cânticos de Natal que os jovens acompanharam ao som da viola.

Ao sairmos do estabelecimento Prisional, um dos jovens dizia: “ Ir ao encontro dos outros de quem somos próximos, levar o Amor e a alegria do nascimento de Jesus, deixa-nos o coração aquecido”. É precisamente isto, quando saímos de nós próprios e nos dispomos a levar ao outrem aquilo que de Deus recebemos.

Como dizia a nossa Fundadora: “Dá pouco a Deus quem não lhe dá tudo” Luiza Andaluz

Irmã Mª Fernanda R. Antunes snsf