Ir. Joaquina

Hoje apetece-me dirigir-te umas palavras

 

No domingo, dia 7, ao fim da tarde, ouvi os teus gemidos e balbuciavas palavras que não se entendiam – talvez as que o Cântico de Isaias hoje dizia:

“grito como a andorinha,
 gemo como a pomba,
 cansa-se meus olhos de olhar para o alto
 socorrei-me, Senhor.”

A noite chegou. A hora chegou, não como ladrão porque és filha da luz (1ªTes 5, 4-5).
Arrancou-te desta morada terrestre. Foste levada pelos anjos de Deus, num escasso momento, entre as Irmãs.

- Como teria sido esse encontro?
   Ele e tu – de braços abertos um para o outro… Rias-te muito, estavas igual a ti mesma, num contentamento sem igual.

- Que te disse o Rei? (alusão ao salmo 44 cantado nas vésperas de 2ª feira)
O Rei disse-te: -“Ouve, filha, vê, presta atenção, é hora de deixar a casa de teu pai. Da tua beleza estou enamorado. Tu, Joaquina, numa simples pergunta dizes: “De minha beleza?” 
- Sim, da beleza das tuas boas obras, das virtudes, da alegria, da simplicidade… Vem, entra!...

A filha do Rei, agora, não de brocados mas de túnica branca, não de manto multicolor mas de manto branco, sinal de pureza, e da castidade, entra no palácio do Rei, num contentamento e alegria sem igual. Mas qual a surpresa?
Seguem-te as donzelas tuas companheiras e juntas, no cortejo nupcial, em harmonia cantam:

O Cântico do Cordeiro, o Fiat
- Um desejo ardente e fundo ou talvez
- ao Verbo Encarnado ( todas as Irmãs presentes o cantámos perante a urna)

Irmã Joaquina, vemos-te partir. Subiste degrau a degrau aquela escada que te levou da terra ao Céu e onde Deus te abriu os braços da Misericórdia.

Agora, aí onde estás, agradecemos-te o convívio que tiveste connosco. Junto de Deus e das outras donzelas tuas e nossas companheiras reza por nós.

Obrigada, Joaquina , até ao Céu.

9/07/ 2019 antes da urna partir para a sua terra natal, as Pedreiras. 

 

Ir. Mª de Lourdes Gaspar snsf