«Eu estou à espera para ir abraçar o meu Jesus»

Foram palavras da Irmã Noémia a seguir à morte da Irmã Emília Valente, em conversa com a nossa colaboradora Susana. Disse-lhe muito convicta e serena “ A seguir sou eu”, ela respondeu-lhe “Não diga disparates Irmã” e então ela retorquiu,”Não faz mal, é que eu estou à espera para ir abraçar o meu Jesus”. De facto, assim aconteceu, na manhã do dia 4 de Outubro de 2017, pelas 8,20 horas. Tínhamos acabado de rezar Laudes, quando ao passar no corredor a Irmã Alice ouviu a Irmã Noémia gritar por socorro. Encontrou-a agarrada à porta da casa de banho, tinha acabado de tomar banho, sem conseguir dar passada e dizendo que não via nada, nem tinha forças. Trouxe-a ao colo para o sofá, ainda a vestiu e a colocou na cama, informou a Irmã Inês Senra que chamou imediatamente o INEM pois a situação piorou bastante. Deu entrada directa para a emergência e, passadas poucas horas, chamam do hospital a responsável por ela para informar que a situação é irreversível e que ela tinha pouco tempo de vida, sofreu um fortíssimo AVC hemorrágico. A Irmã Inês Senra ainda a viu, mas já só respirava porque tinha uma sonda. A Irmã Inês veio para casa e, estávamos a almoçar e, cerca da 1.30h, do hospital informam que se tinha dado o óbito.

Vamos recordar ou conhecer alguns dados e características da nossa Irmã Noémia:

A Irmã Noémia nasceu na freguesia das Acobertas, concelho de Rio Maior e Distrito de Santarém. Foram seus pais: José Domingos Quitério e Delfina Maria Bento.

A Irmã Noémia fez a sua profissão religiosa no dia 2 de Outubro de 1952.

Serviu em várias comunidades ao longo de 55 anos de consagração religiosa. Mais de metade dos anos de Profissão esteve ao serviço do Santuário de Fátima, tendo entrado na comunidade religiosa aí residente a 12 de Outubro de 1986 e aí esteve até 22 de Maio de 2015.

Veio para Santarém há dois anos, entrando na comunidade da Fundação Luiza Andaluz, no dia 22 de Maio de 2015 e na Casa Mãe a 20 de Outubro de 2016, por necessitar de cuidados especiais de saúde. 

Que recordamos da nossa Irmã Noémia? Uma alegria radiosa e harmoniosa; uma constante serenidade, uma grande aceitação activa da sua realidade pessoal e, nesta fase, a sua doença. Muito lutadora, tudo o que podia fazer não se dispensava de o realizar.  A irmã Noémia foi para cada uma de nós testemunho e estímulo. O seu testemunho de fé, o seu sentido espiritual íntimo e interiorizante era muito interpelador para quem estava próximo dela. Ao observar a Irmã Noémia nos momentos de oração comunitária, sobretudo na Eucaristia percebia-se uma grande interiorização, embebida em Deus. Reflexo de um grande amor a Deus que a chamou à vida, à Fé e a vocação de Serva de Nossa Senhora de Fátima.